Conceitos

Esta página dispõe de artigos e comunicações de Marcus André Vieira que trabalham diversos conceitos, a partir de uma leitura lacaniana da Psicanálise.
Total de 39 textos.


A inquietante estranheza, o estranho-familiar, o êxtimo
são algumas das traduções possíveis do Unheimlich de Freud.

Elas nos dão uma ideia do tratamento que Lacan dedica a este afeto, reservando a ele, como sabemos, um lugar de honra em seu Seminário A Angústia. Este texto investiga o ponto de torção entre o estranho e a angústia, com o objetivo de apreender em que medida os dois afetos se articulam. 


Notas sobre o último ensino de J. Lacan e a clínica psicanalítica

A multiplicidade, tão idealizada em nossos dias, torna-se apenas enxame, quando não guerra de tribos, se não estiver em relação com algum modo de coesão e coerência que lhe confira um mínimo de unidade. Então, mais que nunca, esse seminário é atual. Resta delimitar do que Lacan trata quando fala em Um.


Quero buscar linhas de força sobre o tema do furo que norteiem a clínica, com decisões instrumentais, práticas.

É um tema muito clínico e polissêmico. Quando se fala sobre o termo, temos a impressão de saber do que se trata, mas será preciso definir o que vamos chamar de furo. Nesse sentido, tomei algumas decisões, mas lembro que fiz escolhas, muitos caminhos seriam possíveis.


Através do termo neológico cunhado por Lacan “Alfabestição”, discute-se a diferença entre língua e lalíngua com relação a temas como trauma e alteridade, contida no conceito de Outro.


O texto examina a relação do amor com a paixão, por um lado, e com o afeto, por outro

Acredito que poderemos, a partir daí, reunir elementos necessários para situar a pulsão com relação ao amor, o que não é explicitamente realizado por Lacan neste seminário, e que nos permitiria interrogar a sublimação.


Sobre a clínica e o nó borromeano no último ensino de J. Lacan

A psicanálise visa uma singularidade a tal ponto radical que escapa a toda apreensão universal. Sua prática é habitada por este paradoxo: na medida em que é clínica, precisa de categorias, mas orienta-se por um real que as dissolve. Clínica Borromeana” é a expressão cunhada por J. A. Miller para resumir o modo como esse paradoxo se torna operatório a partir das indicações de Lacan em seu último ensino com relação ao nó borromeano.


Genealogia da expressão “psicose ordinária”

Expressão promovida por Jacques-Alain Miller, partindo da “clínica universal do delírio”, como “clínica irônica” em contraposição à clínica diferencial das psicoses. 


Que baliza ética é essa que a permite fazer com que a cura venha por acréscimo (e somente assim) e não que a cura seja seu objetivo primeiro? 

Que medida é essa da psicanálise que a distingue das psicoterapias (que têm por medida o sentido, que em última instância é sempre terapêutico).


O que pode orientar o tratamento e descortinar seu horizonte de conclusão realmente desvinculado do ideal?

Para nós, falar de felicidade em ruptura com o ideal é obrigação, caso contrário seremos apenas partidários de mais um discurso sobre o Bem e de mais uma normatização terapêutica.  Abordar o tema a partir de nossas ferramentas clínicas evita este perigo. Ao mesmo tempo estaremos testando-as.


Sobre padrões e as faltas de padrões na saúde mental

Passa-se, agora, definir a doença como entrave a uma função. Correlativamente, a Organização Mundial de Saúde surge como o lugar em que se deposita uma definição padrão de saúde, para a partir dela pautarmos nossas concepções de doenças. Ora, gostaria de propor, seguindo uma indicação de Jacques Alain Miller, que apesar disso, nosso campo, o da saúde mental, define-se pela falta de um padrão.


Sobre as consequências mais diretas no que diz respeito às relações entre a dor de existir e a tristeza.

O sintagma «dor de existir» é utilizado por Lacan em alguns momentos de seu ensino e,  como acontece frequentemente, a leitura lacaniana desloca esta expressão de seu sentido habitual e situa-a em um novo campo discursivo.


Tentarei, neste trabalho, situar em que consistiria este debate sobre a ética da psicanálise a partir de sua articulação com o horizonte necessariamente sexual onde se desloca a psicanálise.

Para tanto, vou me apoiar nas noções de desejo e gozo, ressaltadas no texto freudiano por Lacan, que situam as coordenadas do campo de uma análise em sua vinculação fundamental com a ética.


A partir do último ensino de Lacan, mais especificamente do modo de tomar a língua encarnado no neologismo lalingua, muito do modo como lidamos com o vasto campo da fala e da linguagem em uma análise precisa ser ressituado.


Entrevista sobre as paixões contemporâneas por Lilian Monteiro para o Estado de Minas


Pequena entrevista com Marcus André Vieira, por Carlos Augusto Nicéas sobre a expressão “o amor do real”.


Prefácio do livro “Homens em análise: travessias da virilidade” de Vinícius Lima.

Da clínica psicanalítica da masculinidade


A constante convocação para um trabalho de escrita resultou nestas “Imagens da letra” – montagem de vários textos que tenta demarcar as diferentes vias percorridas, até então, na abordagem dos aspectos diversos que o conceito da letra implica.

Ainda que apenas alguns assinem o presente texto, registre-se aqui a presença de todos que participaram das discussões.


A pergunta seria: mais de um século desde a Interpretação dos sonhos, ainda se interpretam formações do inconsciente? Para quê? Como?

Adianto minha hipótese: sim. É possível e vale a pena, mesmo com relação aos novos sintomas. No entanto, só posso sustentar essa hipótese, se me apoio em uma definição minimalista e bem geral de interpretação.


Sobre uma neurose de futuro

Resenha do livro Barros, R. (2012). Compulsões e obsessões – uma neurose de futuro.


É preciso lembrar que lalíngua é o conjunto de fragmentos de inscrições de gozo do Outro no infans e que, em um segundo momento (apenas lógico), tem como resultado a possibilidade de transmissão da língua materna.


Sobre mães

Este texto retoma e rearticula passagens dos autores do livro Mães.


Como se articulam o feminino de Freud e de Lacan e as imagens do feminino na cultura? 

Consumista, louca, mas também criativa e empreendedora; não nos faltam figuras do que seria tipicamente feminino. Assumimos, porém, com Lacan, que a mulher não existe no sentido de que seu essencial não tem essência, não se insere no campo da representação.


Uma leitura dirigida, passo a passo, da “Nota sobre a criança”, texto fundamental de Jacques Lacan


O presente artigo pretende abordar a relação fundamental entre o “cômico” entendido como a experiência do riso a partir da relação com o semelhante e o chiste.

O riso a partir da manipulação linguageira do registro simbólico (no sentido que lhe atribui J. Lacan). A partir daí, extraem-se algumas consequências clínicas e teóricas dessa relação. Ou seja, trabalharemos o chiste em sua conexão com o inconsciente fazendo-nos entender a lógica do significante que permeia a experiência psicanalítica. 


Associação cega, não livre

Numa análise, fala-se às cegas.  A proposta talvez seja não exatamente libertar a fala, e sim obter uma novidade no dizer. Com o convite a que se diga o que vem à mente, fazendo de conta isso é possível, provoca-se, na verdade, o dizer outra coisa.



Uma das interpretações possíveis de como podemos ser afetados pelo real de nossos dias.

Acredito que a abordagem lacaniana do afeto pode contribuir para situar o que aflige o psicanalista atualmente. Vou apresentar então uma construção, esboçada na conclusão de meu livro, Ética da Paixão.


Como dar lugar aos monstros do desejo?

Este artigo resume a teoria lacaniana do objeto “a” como resto da constituição subjetiva, tal como proposto em seus Seminários 10 e 11. No entanto, em lugar de fazê-lo com base nas operações de alienação e separação, introduzidas por Lacan nestes seminários, optamos por trazer a função do objeto-resto a partir da distinção entre moral e ética empreendida em seu Seminário 7.


Posto que o objeto em si é necessariamente invisível, aborda-se a contemporaneidade com a seguinte questão: é possível que o objeto tenha tornado-se visível?

Isso não implicaria na implosão da cena erótica ou em instabilidades radicais na estruturação do imaginário do corpo? 


O texto apresenta os “Objetos em análise” com algumas curiosidades advindas do processo analítico.

Traz uma lista de erótica – oral, anal, do olhar e da voz – que de início está submetida à erótica fálica, mas à medida que a análise segue em direção ao atravessamento da fantasia, uma nova relação promove “o esvaziamento do valor de real do falo e dos objetos a.” O autor continua trazendo a invenção, a arte (e o artista), propondo, ao final, chamar as invenções de soluções sinthomáticas a partir da ideia de que é possível aproximar a invenção do trabalho de Lacan com Joyce.


Sobre a teorização lacaniana da angústia

e sobretudo a diferença proposta por Lacan entre passagem ao ato e “acting-out” – são, aqui, retomadas para localizar sua importância. Isso, a partir de situações de pânico coletivo na cidade do Rio de Janeiro, de um episódio autobiográfico de Celso Athayde.
(boa parte deste texto compõe o primeiro capítulo de “Restos”).


O texto traz duas ideias que dizem respeito ao recrutamento pelo inconsciente

Termo que costumamos usar, lembrando que o termo de Lacan referido a essa ideia nesse texto, logo na abertura, é triagem.


Quero examinar o modo como o amor encontra, em seus encontros com o Outro gozo, um modo de resolução chamado por Lacan neste seminário de um novo amor.


Sobre a teoria do signficante de Lacan

Classicamente, uma teoria do signo é uma teoria da representação. Um signo é um “perceptível” que responde por um “imperceptível”, o primeiro representa o segundo. A essa função do signo acopla-se uma teoria da significação: o significado de um signo é a coisa que ele representa.


Este texto faz parte de uma série de artigos que tratam de leituras do Seminário 19 de J. Lacan.


O que sobrevive? O que luta. E quantos mais na luta, melhor. Mas cabe a pergunta: haveria outros modos de resistência, que sejam de sobrevivência, mas não apenas os de luta?

Para os psicanalistas, é fundamental desdobrar a pergunta em: a psicanálise teria alguma contribuição nesse debate?


Amor e Outro gozo

A consideração de um gozo que apresenta-se deslocalizado, puro desassossego entre assombro e êxtase, nomeado de Outro gozo, no trabalho analítico leva a uma série de consequências. Gostaria de explorar algumas delas com relação ao amor, motor da transferência.


Vamos nos voltar, aqui, para as indicações de Lacan quanto ao que J. A. Miller, de modo espirituoso, chamou de estatuto japonês do sujeito. 

A possibilidade de um regime discursivo não fundado na profundidade conferida pela premissa fálica sempre levou os analistas a percorrer situações em que haveria uma dificuldade manifesta na instituição da suposição de saber, intrinsecamente solidária à profundidade do eu e essencial para a entrada em análise. Psicose, toxicomanias, psicanálise em crianças são marcos nessa exploração essencial.


Sobre o Supereu e o objeto voz

O objetivo deste trabalho é estudar o supereu, percorrendo os caminhos que nos levam a ele como voz de um imperativo interrompido. Buscamos demonstrar que o supereu não está referido às identificações que norteiam o sujeito, mas sim a comandos desnorteadores.


Esse texto retoma parte do curso: A política do sintoma. 

O Orkut e o Facebook como paradigmas da customização sintomática de nossos tempos: a cada um seus modos de gozo (seu sintoma).